Belém, norte do Brasil, janeiro de 2005.
Era mais uma daquelas típicas frias manhãs de inverno do norte brasileiro; nebulosa, melancólica e úmida, pois, finalmente, raiou o sol após uma noite inteira de uma enfadonha chuva.
Arthur preparava-se para seu primeiro dia na faculdade (no ano anterior ele havia sido aprovado no vestibular para o curso de Arquitetura); Anthony, por sua vez, fazia questão de caçoar do irmão, mas, por dentro, sentia-se orgulhoso por ele. Enquanto Arthur se olhava no espelho e se lembrava de tudo quanto havia superado nos anos anteriores, Anthony o observava atentamente, calado. Por fim, Anthony interrompeu o silêncio.
- Ansioso pelo seu primeiro dia?- perguntou Anthony.
- Não muito,- respondeu Arthur- até porque eu tenho quase certeza que hoje não vai acontecer nada de importante.
- Mas, vai que acontece?
- Corta essa, mano!
- É sério, cara!
- Acho que você ainda não entendeu; é só o primeiro dia.
- É por esse motivo que, necessáriamente, deve ser inesquecível!
- Deixa de exageros, cara!
- Tá bom! Tá bom! Não tá mais aqui quem falou, mas, me diz, quando acaba o seu tratamento com o psicólogo?
- Não sei quando, mas, ao que tudo indica, eu vou receber alta do tratamento em março.
- Finalmente, mano...
- Foi difícil... - Arthur parou, refletiu sobre seu passado recente e esboçou um ligeiro sorriso; abaixou a cabeça, cumprimentou seu irmão e se retirou.
Cerca de meia hora depois, Arthur chega à faculdade, após ter enfrentado o caótico trânsito da cidade e um ônibus lotado. Foi bem como ele havia imaginado; não houve nada além de algumas últimas instruções aos calouros. Arthur tomou sua mochila e saiu da sala, à francesa, logo no começo da apresentação. Ele procurou uma parte afastada do campus, sacou a sua pasta de desenhos e a deixou do seu lado; tirou dela, ainda, umas folhas em branco; nelas, esboçou mais um dos seus desenhos, que provávelmente, terminaria em casa, como uma belíssima pintura a óleo.
Do outro lado do campus, um verdadeiro caos fora instaurado; cinco garotas corriam de patins- graciosamente, diria eu-, espantando a todos pela anormalidade. Eram calouras, que, por onde passavam arrancavam suspiros e assobios maliciosos dos mais atrevidos. Além de encherem os olhos com suas belezas, as garotas demonstravam bastante técnica e precisão nas suas manobras.
Arthur estava desenhando, buscando inspiração no que via ao redor, como, aliás, sempre o fazia; as cores mais vívidas, aos poucos, voltavam a preencher os seus desenhos, antes cobertos por um véu de tinta negra; claramente se via que sua única inspiração era a sua dor, que o atormentara durante longos meses, que pareciam infindáveis, onde os dias pareciam sem brilho, e as noites pareciam invernos frios e deveras tristonhos. Enquanto isso, as graciosas patinadoras aproximavam-se de uma área isolada, coinscidentemente, onde Arthur estava desenhando, e este, enquanto fazia o acabamento de seu desenho, escutou um estranho barulho à sua esquerda, no fundo do corredor, ao qual não deu mais atenção. Fez mal, pois foi surpreendido pelo vento forte que levou seus desenhos; eram as tais patinadoras, que ao passarem rápidamente por ele, e tão rente às folhas, o ar deslocado as levou. Quando estava prestes a recolher todas, resmungando e esbravejando aos quatro ventos, uma retardatária passa por ele, e arrasta, despropositalmente, mais alguns desenhos, arrancando mais reclamações do já enfurecido rapaz.
- Olha por onde anda!!!- exclamou Arthur à plenos pulmões.
- Ah, cara! Foi mal, de verdade!
- Ah, faça-me o fav...
Arthur ainda não havia percebido um pequeno detalhe, mas, quando o percebeu, calou sua voz bruscamente e olhou, estarrecido para a garota diante dele. Era muito bela; era alta- mais ou menos 1 metro e 80 de altura-, de seios e quadris fartos, bem como suas pernas eram grossas e bem torneadas. Não haveria problema algum, a menos que o seu rosto, não fosse tão belo, tão perfeito e tão parecido com o rosto da... Hannah. "Não, não era ela! Mas, como pode uma garota ser igual a ela? Impossível!", era o que Arthur pensava.
- Vai embora!- exclamou Arthur.
- Se não quiser ajuda é só avisar! Não precisa agir com tanta ignorância!- retrucou a garota.
Arthur saiu rápidamente e a tal garota ficou a chamá-lo. Quando Arthur chegou em casa Anthony o perguntou como havia sido seu primeiro dia como um universitário, mas sequer deu ouvidos a ele; logo em seguida, trancou-se no seu quarto e se pôs a raciocinar quais eram as possibilidades de aquilo ser uma triste brincadeira. Sendo ou não, Anthony estava certo, pois, certamente, foi um dia inesquecível. Já na sua casa, a tal garota não sabia por quê não conseguia esquecer o rapaz que conhecera mais cedo, por mais que tentasse. Ela sabia que ele tinha algo de especial em si, só não sabia o que era.
Archangela's Griffin
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Capítulo 1. Prólogo. O Triste Passado
Belém, norte do Brasil. 22 de abril de 2002.
Era uma tarde ensolarada naquele dia, mas algumas nuvens persistiam em se pôr em frente ao sol, mas seus raios, em um amarelo-dourado de vívida luz, como espadas forjadas, em cintilantes brasas, para a guerra, as cortavam e transpassavam, um verdadeiro espetáculo aos olhos; Arthur Ambrosini sabia disso, e, como de costume, fazia belíssimas pinturas sobre a laje de sua casa.
Era fim de tarde, e Arthur pintava mais uma de suas telas, alegremente, como sempre fazia, e sempre nesse horário vinha a sua namorada para visitá-lo e admirar suas telas. Ela ficava sempre estarrecida com a capacidade que ele tinha em reproduzir fielmente o mundo ao redor. Era engraçado ver duas pessoas, tão distintas entre si, juntas; Arthur era um rapaz magro, de estatura normal para sua idade, cabelos castanhos e sem nenhum atrativo físico aparente; Hannah, sua namorada, era loira, olhos verdes, corpo curvilíneo, perfeitamente desenhado, o que, lógicamente induzia os garotos a olharem para ela; contudo, amavam-se bastante, apesar da pouca idade.
Arthur esperava ansiosamente pelo dia de seu aniversário, que viria a ser três dias depois; ele não tinha planos para esse dia.
Belém, norte do Brasil. 25 de abril de 2002.
Como não havia plano algum para aquele dia, Arthur resolveu ficar em casa com seu irmão. Estava tudo calmo, até que Hannah chegou e foi até Arthur, para dar-lhe os parabéns. Ao perceber tudo, Anthony, irmão mais novo de Arthur, foi para seu quarto, e lá permaneceu até as 2 da tarde. Logo que chegou, Hannah sentou-se no colo de Arthur e deu-lhe um demorado beijo. Logo ela sussurrou em seu ouvido:
-Parabéns, meu amor... Parabéns...
-Esse é o meu presente? Caprichou, hein!- disse Arthur, bem baixinho, no ouvido de Hannah.
-Tem mais de onde veio esse...
Arthur e Hannah passavam sempre longas tardes juntos, mas essa tarde não seria como as outras, pois Hannah, iria viajar de carro com seus tios para o interior do estado.
- Amor, eu vou viajar, ainda hoje- disse Hannah, em tom triste.
- Como assim?!- perguntou Arthur, em tom igualmente triste.
- É que meus pais foram convidados a passar o fim de semana na casa de uns amigos deles que moram no interior do estado, e eles querem me levar.
- Poxa, mas tinha que ser justo hoje?
- Pensei nisso também. Mas a notícia boa é que eu posso levar alguém comigo, então...
- Peraí! Não me diga que você quer me levar!
- E quem mais eu levaria?
- ... Agradeço que tenha se lembrado de mim, mas não sei se seria legal eu deixar o meu irmão sozinho em casa.
- Mas você pode deixá-lo na casa de algum vizinho ou...
- Ou...
- 0u... Sei lá... Ah, vem comigo! Vai ser divertido!
- Hannah, eu já disse que não posso deixar o Anthony sozinho; ele vai acabar levando essa casa abaixo! Fora que eu vou me sentindo muito mal se eu fizer isso.
- ... Cara, você é difícil mesmo, hein! Tá bom. Eu te entendo. Vou viajar lá pelas 4 da tarde, mas até lá, ficamos aqui...
- Fazendo o quê?- perguntou Arthur, se insinuando.
- Adivinha...
Arthur e Hannah aproveitaram as suas últimas horas juntos, antes que Hannah viajasse. Ela estava linda, como se pronta a ir a uma dessas festas noturnas; abraçou seu namorado e disse:
- Até breve. Logo você vai me ver, meu amor...
- Mal posso esperar- disse Arthur.
Por fim, despediram-se, e ela entrou no carro, que saiu em seguida; logo, Anthony, que observava tudo de longe, logo aproximou-se de seu irmão e o perguntou:
- Por quê você não foi com ela?
- Ora, eu não fui porque, primeiro, se você ficasse sozinho em casa, não haveria mais casa depois que eu chegasse e, segundo, se eu te deixasse na casa da vizinha, você iria dar um jeito de jogar seu "charme" pra filha dela.
- Cara, você é muito chato! Mas, vou te mandar a real; você ainda vai se arrepender por não ter ido com ela- Anthony falou isso sem saber o que haveria de acontecer.
Por volta das 7 da noite, Arthur e Anthony comiam em frente à tevê, até que algo chocou os irmãos; eles assistiram a uma notícia de um acidente entre um carro particular eu uma carreta; não houve sobreviventes no carro de passeio. Mas, o problema é que o carro era idêntico ao do pai de Hannah. Arthur não pensou duas vezes e foi ao Instituto Médico Legal, identificar as vítimas, pois tal não havia sido feito até o presente momento. Quando chegou ao necrotério, o odor forte dos cadáveres o incomodava e, mais do que isso, seu coração palpitava por saber o que havia de ver ali. Quando o perito abriu o saco preto, onde estava um dos cadáveres. Concretizou-se o que Anthony houvera previsto horas antes quando disse: "você ainda vai se arrepender por não ter ido com ela". De fato, isso era verdade, assim como verdade era o fato de Arthur ver Hannah de novo. Inclusive ela estava alí, diante dele... Morta. Suas belas formas deram lugar a um corpo desfigurado e sem vida. Tudo mudou, desde então.
Era uma tarde ensolarada naquele dia, mas algumas nuvens persistiam em se pôr em frente ao sol, mas seus raios, em um amarelo-dourado de vívida luz, como espadas forjadas, em cintilantes brasas, para a guerra, as cortavam e transpassavam, um verdadeiro espetáculo aos olhos; Arthur Ambrosini sabia disso, e, como de costume, fazia belíssimas pinturas sobre a laje de sua casa.
Era fim de tarde, e Arthur pintava mais uma de suas telas, alegremente, como sempre fazia, e sempre nesse horário vinha a sua namorada para visitá-lo e admirar suas telas. Ela ficava sempre estarrecida com a capacidade que ele tinha em reproduzir fielmente o mundo ao redor. Era engraçado ver duas pessoas, tão distintas entre si, juntas; Arthur era um rapaz magro, de estatura normal para sua idade, cabelos castanhos e sem nenhum atrativo físico aparente; Hannah, sua namorada, era loira, olhos verdes, corpo curvilíneo, perfeitamente desenhado, o que, lógicamente induzia os garotos a olharem para ela; contudo, amavam-se bastante, apesar da pouca idade.
Arthur esperava ansiosamente pelo dia de seu aniversário, que viria a ser três dias depois; ele não tinha planos para esse dia.
Belém, norte do Brasil. 25 de abril de 2002.
Como não havia plano algum para aquele dia, Arthur resolveu ficar em casa com seu irmão. Estava tudo calmo, até que Hannah chegou e foi até Arthur, para dar-lhe os parabéns. Ao perceber tudo, Anthony, irmão mais novo de Arthur, foi para seu quarto, e lá permaneceu até as 2 da tarde. Logo que chegou, Hannah sentou-se no colo de Arthur e deu-lhe um demorado beijo. Logo ela sussurrou em seu ouvido:
-Parabéns, meu amor... Parabéns...
-Esse é o meu presente? Caprichou, hein!- disse Arthur, bem baixinho, no ouvido de Hannah.
-Tem mais de onde veio esse...
Arthur e Hannah passavam sempre longas tardes juntos, mas essa tarde não seria como as outras, pois Hannah, iria viajar de carro com seus tios para o interior do estado.
- Amor, eu vou viajar, ainda hoje- disse Hannah, em tom triste.
- Como assim?!- perguntou Arthur, em tom igualmente triste.
- É que meus pais foram convidados a passar o fim de semana na casa de uns amigos deles que moram no interior do estado, e eles querem me levar.
- Poxa, mas tinha que ser justo hoje?
- Pensei nisso também. Mas a notícia boa é que eu posso levar alguém comigo, então...
- Peraí! Não me diga que você quer me levar!
- E quem mais eu levaria?
- ... Agradeço que tenha se lembrado de mim, mas não sei se seria legal eu deixar o meu irmão sozinho em casa.
- Mas você pode deixá-lo na casa de algum vizinho ou...
- Ou...
- 0u... Sei lá... Ah, vem comigo! Vai ser divertido!
- Hannah, eu já disse que não posso deixar o Anthony sozinho; ele vai acabar levando essa casa abaixo! Fora que eu vou me sentindo muito mal se eu fizer isso.
- ... Cara, você é difícil mesmo, hein! Tá bom. Eu te entendo. Vou viajar lá pelas 4 da tarde, mas até lá, ficamos aqui...
- Fazendo o quê?- perguntou Arthur, se insinuando.
- Adivinha...
Arthur e Hannah aproveitaram as suas últimas horas juntos, antes que Hannah viajasse. Ela estava linda, como se pronta a ir a uma dessas festas noturnas; abraçou seu namorado e disse:
- Até breve. Logo você vai me ver, meu amor...
- Mal posso esperar- disse Arthur.
Por fim, despediram-se, e ela entrou no carro, que saiu em seguida; logo, Anthony, que observava tudo de longe, logo aproximou-se de seu irmão e o perguntou:
- Por quê você não foi com ela?
- Ora, eu não fui porque, primeiro, se você ficasse sozinho em casa, não haveria mais casa depois que eu chegasse e, segundo, se eu te deixasse na casa da vizinha, você iria dar um jeito de jogar seu "charme" pra filha dela.
- Cara, você é muito chato! Mas, vou te mandar a real; você ainda vai se arrepender por não ter ido com ela- Anthony falou isso sem saber o que haveria de acontecer.
Por volta das 7 da noite, Arthur e Anthony comiam em frente à tevê, até que algo chocou os irmãos; eles assistiram a uma notícia de um acidente entre um carro particular eu uma carreta; não houve sobreviventes no carro de passeio. Mas, o problema é que o carro era idêntico ao do pai de Hannah. Arthur não pensou duas vezes e foi ao Instituto Médico Legal, identificar as vítimas, pois tal não havia sido feito até o presente momento. Quando chegou ao necrotério, o odor forte dos cadáveres o incomodava e, mais do que isso, seu coração palpitava por saber o que havia de ver ali. Quando o perito abriu o saco preto, onde estava um dos cadáveres. Concretizou-se o que Anthony houvera previsto horas antes quando disse: "você ainda vai se arrepender por não ter ido com ela". De fato, isso era verdade, assim como verdade era o fato de Arthur ver Hannah de novo. Inclusive ela estava alí, diante dele... Morta. Suas belas formas deram lugar a um corpo desfigurado e sem vida. Tudo mudou, desde então.
Sinopse
Arthur e Anthony são dois irmãos órfãos que, à primeira vista, parecem normais, no entanto, fazem parte de uma raça muito rara de humanos capaz de usar habilidades sobrenaturais ocultas, alimentadas por uma misteriosa fonte de energia, chamada Oikos; Arthur, no entanto, perdeu sua namorada no dia de seu aniversário de 15 anos, e hoje, três anos depois, se vê prestes a superar tal dor por completo. Assim o faria, se não tivesse conhecido Nicole, uma bela garota que estuda na mesma faculdade que ele, por acidente; até aí nada demais, a não ser pelo simples fato de ela ser idêntica a Hannah, a amada de Arthur, morta trágicamente. Tal ressucita a tristeza de Arthur, que volta ao seu estado inicial de depressão, sentindo ainda uma mórbida raiva por Nicole; esta, por sua vez, chega até a corresponder a raiva, entretanto, ela passa a alimentar uma enorme curiosidade pela figura enigmática de Arthur, mas tal curiosidade sai de controle, tornando-se algo muito mais profundo. Pra completar, surgem inúmeros inimigos dispostos a eliminar Nicole, mas passam a querer eliminar Arthur e Anthony, por acharem que estão envolvidos com a moça.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
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