quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Capítulo 1. Prólogo. O Triste Passado

Belém, norte do Brasil. 22 de abril de 2002.


Era uma tarde ensolarada naquele dia, mas algumas nuvens persistiam em se pôr em frente ao sol, mas seus raios, em um amarelo-dourado de vívida luz, como espadas forjadas, em cintilantes brasas, para a guerra, as cortavam e transpassavam, um verdadeiro espetáculo aos olhos; Arthur Ambrosini sabia disso, e, como de costume, fazia belíssimas pinturas sobre a laje de sua casa.
Era fim de tarde, e Arthur pintava mais uma de suas telas, alegremente, como sempre fazia, e sempre nesse horário vinha a sua namorada para visitá-lo e admirar suas telas. Ela ficava sempre estarrecida com a capacidade que ele tinha em reproduzir fielmente o mundo ao redor. Era engraçado ver duas pessoas, tão distintas entre si, juntas; Arthur era um rapaz magro, de estatura normal para sua idade, cabelos castanhos e sem nenhum atrativo físico aparente; Hannah, sua namorada, era loira, olhos verdes, corpo curvilíneo, perfeitamente desenhado, o que, lógicamente induzia os garotos a olharem para ela; contudo, amavam-se bastante, apesar da pouca idade.
Arthur esperava ansiosamente pelo dia de seu aniversário, que viria a ser três dias depois; ele não tinha planos para esse dia.

Belém, norte do Brasil. 25 de abril de 2002.

Como não havia plano algum para aquele dia, Arthur resolveu ficar em casa com seu irmão. Estava tudo calmo, até que Hannah chegou e foi até Arthur, para dar-lhe os parabéns. Ao perceber tudo, Anthony, irmão mais novo de Arthur, foi para seu quarto, e lá permaneceu até as 2 da tarde. Logo que chegou, Hannah sentou-se no colo de Arthur e deu-lhe um demorado beijo. Logo ela sussurrou em seu ouvido:
-Parabéns, meu amor... Parabéns...
-Esse é o meu presente? Caprichou, hein!- disse Arthur, bem baixinho, no ouvido de Hannah.
-Tem mais de onde veio esse...
Arthur e Hannah passavam sempre longas tardes juntos, mas essa tarde não seria como as outras, pois Hannah, iria viajar de carro com seus tios para o interior do estado.
- Amor, eu vou viajar, ainda hoje- disse Hannah, em tom triste.
- Como assim?!- perguntou Arthur, em tom igualmente triste.
- É que meus pais foram convidados a passar o fim de semana na casa de uns amigos deles que moram no interior do estado, e eles querem me levar.
- Poxa, mas tinha que ser justo hoje?
- Pensei nisso também. Mas a notícia boa é que eu posso levar alguém comigo, então...
- Peraí! Não me diga que você quer me levar!
- E quem mais eu levaria?
- ... Agradeço que tenha se lembrado de mim, mas não sei se seria legal eu deixar o meu irmão sozinho em casa.
- Mas você pode deixá-lo na casa de algum vizinho ou...
- Ou...
- 0u... Sei lá... Ah, vem comigo! Vai ser divertido!
- Hannah, eu já disse que não posso deixar o Anthony sozinho; ele vai acabar levando essa casa abaixo! Fora que eu vou me sentindo muito mal se eu fizer isso.
- ... Cara, você é difícil mesmo, hein! Tá bom. Eu te entendo. Vou viajar lá pelas 4 da tarde, mas até lá, ficamos aqui...
- Fazendo o quê?- perguntou Arthur, se insinuando.
- Adivinha...
Arthur e Hannah aproveitaram as suas últimas horas juntos, antes que Hannah viajasse. Ela estava linda, como se pronta a ir a uma dessas festas noturnas; abraçou seu namorado e disse:
- Até breve. Logo você vai me ver, meu amor...
- Mal posso esperar- disse Arthur.
Por fim, despediram-se, e ela entrou no carro, que saiu em seguida; logo, Anthony, que observava tudo de longe, logo aproximou-se de seu irmão e o perguntou:
- Por quê você não foi com ela?
- Ora, eu não fui porque, primeiro, se você ficasse sozinho em casa, não haveria mais casa depois que eu chegasse e, segundo, se eu te deixasse na casa da vizinha, você iria dar um jeito de jogar seu "charme" pra filha dela.
- Cara, você é muito chato! Mas, vou te mandar a real; você ainda vai se arrepender por não ter ido com ela- Anthony falou isso sem saber o que haveria de acontecer.
Por volta das 7 da noite, Arthur e Anthony comiam em frente à tevê, até que algo chocou os irmãos; eles assistiram a uma notícia de um acidente entre um carro particular eu uma carreta; não houve sobreviventes no carro de passeio. Mas, o problema é que o carro era idêntico ao do pai de Hannah. Arthur não pensou duas vezes e foi ao Instituto Médico Legal, identificar as vítimas, pois tal não havia sido feito até o presente momento. Quando chegou ao necrotério, o odor forte dos cadáveres o incomodava e, mais do que isso, seu coração palpitava por saber o que havia de ver ali. Quando o perito abriu o saco preto, onde estava um dos cadáveres. Concretizou-se o que Anthony houvera previsto horas antes quando disse: "você ainda vai se arrepender por não ter ido com ela". De fato, isso era verdade, assim como verdade era o fato de Arthur ver Hannah de novo. Inclusive ela estava alí, diante dele... Morta. Suas belas formas deram lugar a um corpo desfigurado e sem vida. Tudo mudou, desde então.

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